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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Shut Up and Drive

Eu devo ser meio fácil de ler. Na verdade, acho que não sou, mas a única explicação plausível para os meus relacionamentos é que eu seja. Eu tenho cara fechada, sou de poucos sorrisos e pouca conversa. Não permito aproximações com facilidade, não sei baixar a guarda. E ainda tem a minha educação (ou não tem, né?!), que eu diria um pouco “peculiar”. Hoje, recebi um elogio “diferente” no serviço. Uma moça disse que eu sou “grosso, mas muito educado”. Também não entendi e, pelo que ela explicou, acho que a minha educação se refere ao respeito com que trato a todos e, principalmente, a reserva e distância que mantenho de tudo. Falo pouco e baixo, não questiono ordens, e me esforço (não disse que consigo, disse que me esforço) para criticar com jeitinho e doçura. A grosseria, como não poderia deixar de ser, foi o nome que ela quis dar à minha adorável mania de falar sem pensar e não formular bem as frases. Mas, pelo que entendi, parece não ser muito difícil separar essas coisas e enxergar um coração bom por trás da carcaça.
Em relação aos outros... ok, vou direto ao ponto! As pessoas têm medo de mim. Talvez seja a soma de tudo isso ou alguma outra coisa ainda não identificada, mas isso é muito perceptível. Não sei se têm medo de uma má resposta (tão comum!), uma enxurrada de sarcasmo ou a doce indiferença, em sua forma mais simples. Sei que sempre descubro interesses e paixonites depois que já passaram. Só “ouvi” uma vez, e, mesmo assim, numa conversa tipo “por que diabos você faz esse tipo de coisa?”, “porque eu gosto de você, caralho!”. Assim, a queima roupa! Geralmente, as pessoas se aproximam de mim, “dão pistas” e, em seguida, se afastam, sem dizer nada, pra eu descobrir depois que todas aquelas peças se encaixavam e... não dar mais tempo. Eu também sou um pouco lerdo pra isso, confesso. Sou observador, mas inseguro. Ainda que enxergue nexo nas coisas, não me enxergo entre elas ou não acredito quando chego a suspeitar. Mas já me acostumei a isso. Meus flertes precisam ser mais explícitos para serem meus. E com paciência, porque reajo muito mal a surpresas. MUITO MAL. Tenho casos engraçadíssimos a esse respeito, como o do supermercado que eu sempre freqüentava nos Estados Unidos: “você sabe onde fica o macarrão?”, “na estante 8. você quer ir ao cinema?”, “Ahn? ma-car-rão. onde fica?”, “na estante 8. estou perguntando é se você já tem alguma coisa pra fazer hoje a noite.”, “tenho, tenho sim. vou fazer macarrão. Obrigado!”.
Aonde eu quero chegar, antes que eu me esqueça, é na pergunta “será que isso é perceptível?”. Porque, observando o meu histórico de fracassos afetivos, o que se conclui é que eu me apaixonei sempre que alguém me enfrentou. Simples assim. Em todas as (poucas) vezes que encontrei alguém tão osso duro de roer quanto eu, o resultado foi o mesmo. É só responder à minha altura, que eu fico balançado. E nem estou falando apenas de “piadinhas” e “acidez” não. Estou falando também, e principalmente, das vezes em que me provaram que eu não sou o melhor em tudo, das vezes em que me desafiaram e venceram (como quando eu mandei um SMS inocente e recebi, de volta, a versão supostamente correta do ponto de vista gramatical e passei um fim de semana inteiro revirando o Google atrás da regra que comprovava que era eu quem estava certo). Talvez eu goste de ser vencido, ou, mais provavelmente, goste de lutar. O que eu não sei é se isso está escrito na minha testa ou se todo mundo quer tirar o meu sossego usa, coincidentemente, essa mesma estratégia. Como não poderia deixar de ser, meus relacionamentos são todos iguais. Começam com uma implicância leve. Vêm as brigas, os bate-bocas. Quando vejo, já há um envolvimento, e, quando vejo outra vez, as brigas cresceram e o envolvimento acabou. Desse jeito. Nessa ordem.
Só que eu não quero isso. Não de novo (é, está acontecendo!). Eu já sei como vai acabar, que tal a gente parar por aqui? Eu sei que deveria dar mais importância à caminhada que ao fim, mas não sei se consigo, nem se quero (na verdade, eu sei, mas nego). Fique com seu pouco peso, suas fotos feias e toda a sua musicalidade e não me incomode. Por favor!

Um comentário:

  1. Na fé, Caio. Pare de morrer de véspera.

    PS: De boa, eu DUVIDO que você escreveu algo errado gramaticalmente falando.

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