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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

#10 Academia!

Estou nos meus primeiros dias de academia, depois de todos esses anos de sedentarismo consciente. A experiência não tem sido das melhores, mas estou me esforçando ao máximo pra agüentar os quatro meses (pelo menos) do pacote que comprei.
Nessas horas de agonia, entretanto, eu pretendia listar, no Twitter, #10 motivos para ODIAR academia, mas a limitação de caracteres me trouxe pra cá. Tenho muito a reclamar e preciso de espaço!

#1 – Esforço direcionado.
Acho que o que mais me irritou no “treino” que montaram pra mim foi o enfoque dado a tudo o que eu tenho mais dificuldade. Eu sei que isso faz muito sentido, mas é sofrimento demais. Minha avaliação disse que tenho muito mais facilidade/força/coordenação/sei lá o que nas pernas que nos braços. O que o professor fez? Pôs TRÊS exercícios de perna e QUINHENTOS E SETENTA E OITO exercícios para os braços. Tá, não são tantos assim, mas são bem mais. E eu sei que a lógica é direcionar os trabalhos para o que precisa de mais atenção e tal, mas sou uma pessoa sedentária, venho de famílias gordas, não tenho força de vontade. Ele tinha que me dar um mínimo de estrutura emocional, não? Colocar exercícios que eu agüente fazer, pra me dar confiança. Ainda que pusesse os impossíveis também. Mas não! Tacou logo tudo que mais dói. Passo o tempo todo olhando pra porta, imaginando formas de fugir...

#2 – Espelhos.
Parece um filme de terror. Espelhos por todos os lados. E refletindo o quê? Homens imensos e muito fortes fazendo poses sensuais e observando seus músculos com atenção, e pessoas infelizes (como eu) com cara de dor/pânico/medo/choro. Porque pior do que sofrer é ASSISTIR ao seu sofrimento em tempo real. Vejo meus dentes rangerem, meu papo estufar, meus tendões repuxarem. Dá vontade de largar tudo e pular no espelho pra me socorrer!

#3 – Sonoplastia.
Como fazer amigos nunca é meu objetivo, fui logo com meus fones de ouvido pra me isolar do mundo exterior. Mas, olha, há dois outros problemas, maiores que as interações sociais, que os fones não resolvem. O primeiro são as típicas músicas de academia. Hoje tocou um remix de Three da Britney de mais de 10 minutos. Isso, além de sensualizar o ambiente e inspirar ainda mais os narcisistas do tópico anterior (eu estava esperando a hora em que três deles tirariam as roupas e dançariam juntos só de cueca!), ALIENA as pessoas. Parece que o tempo não passa, que o mundo parou de rodar. Que você vai morrer ali, fazendo aquele exercício e ouvindo aquela música. O segundo são as manifestações dos coleguinhas. Os fortões principalmente. Eles fazem aquela cara de mau, pegam 5 toneladas, começam os exercícios e DISPARAM A GRITAR! Me sinto figurante no Karatê Kid! Se você não agüenta 290 quilos, por que não pega só 200? O que eu não sou obrigado é a viver nesse campo de batalha com gente se contorcendo e gritando. E, quando eles terminam a apresentação circense, soltam um último e aparentemente interminável urro, largam o peso (ou batem o aparelho), marcando com muito barulho o último movimento, e comemoram em duplas, como ursos, pulando e batendo os peitos uns nos outros no ar – tá, eles não fazem isso, mas é como se fizessem!

#4 – Instrutores ou Mulherengos, tanto faz.
Em um determinado momento do meu suplício, pensei em consultar um instrutor, porque já acho que os exercícios deformaram meus ombros. E eu até poderia ANDAR até ele, soltar um “opa, e aí?” e fazer as minhas perguntas. Mas doía. E eu fiquei jogado num aparelho tentando fazer contato visual enquanto ele batia AQUELE PAPO com os “bróder”. Não consegui nem insisti. Então, ele começou a andar pelo salão e eu logo me enchi de esperanças de novo. Até que chegou uma mulher MARAVILHOSA e foi como se ele tivesse ficado cego. Acho saudável e até engraçado ele não ficar a mais de meio metro dela, mas ele podia dar uma olhadinha pros lados às vezes, né?! Que amor é esse? Era uma risaiada, uma simpatia, tanta atenção... Por fim,ele consertava tanto as posturas e movimentos dela (pra puxar papo, é claro), que eu já tava me sentindo fazendo tudo errado. Mas, né?! Não tenho peitos. Vou morrer aleijado...

#5 – Mulheres difíceis.
O primeiro e principal exemplo foi mesmo a queridinha do instrutor. Como eu disse, ela é muito bonita. Mas bonita mesmo! E, com aquelas roupas de academia, que só tampam porque têm que tampar, ela parou várias vezes o salão. A cada posição “insinuante”, deixava meia dúzia de marmanjos parados babando. E ela sabia disso e se divertia internamente. Só que, até mesmo por uma questão de defesa, uma mulher bonita assim não pode ser simpática com os homens num ambiente assim, sob pena de não ser respeitada jamais. Daí que ela tava lá toda irresistível malhando num trem que te deixa de bunda pra cima (e que eu estava esperando pra usar), levantou, deu uma voltinha, mas não saiu de perto. Decidi perguntar (se ela já tinha acabado) e foi aquele climão. Uma aula de cara de inatingível. Um olhar fuzilante de eu querer pedir desculpas por ter incomodado. Rapidamente desfeito e transformado num sorriso simpático quando esclarecido o mal entendido. Mas, né? Sempre tenso conviver...

#6 – Respeitar gente gostosa.
É preconceito, eu sei, mas, pra mim, bons profissionais são gordos ou minimamente fora de forma. Qual gênio gostoso você conheceu, me diz? E isso me impede de confiar nos instrutores. Eu super quis problematizar a montagem do meu treino ontem, mas o “professor” tinha 1,5m de altura e um corpo perfeito. Sabe esse povo que consegue malhar tudo e não deixar nada desproporcional? Quem disse que eu o respeito? Não respeito! Não levo a sério NADA do que ele disse. Nem pergunta eu perco meu tempo fazendo. Aposto que ele não sabe. E, quando fico em dúvida em relação a alguma coisa, sigo a minha intuição. Eu tenho muito mais chances de entender de músculos, tendões e ergonomia que ele. Ele é gostoso. A função dele é só essa! Aposto que ele tava malhando enquanto eu tava na escola! Eu sei, porque era estudioso, que é impossível conciliar essas coisas. Se você é minimamente inteligente, não pode ser gostoso. Ou, se pode, não deveria poder!
Se, um dia, eu tiver uma academia, vou ter um velho gordo, careca e de óculos na coordenação. Credibilidade é tudo...

#7 – Gente Pelada.
Me incomoda um pouco esse povo que tira a roupa em qualquer lugar como se estivesse na sua própria casa. Não converso com ninguém, eu sei, mas tenho ouvidos, ouço o que está acontecendo. E não tem nada mais constrangedor que conversar com uma pessoa pelada. Fiquei entre dois caras no banco do vestiário no primeiro dia e foi o que aconteceu. Eles estavam conversando e um tirou a roupa toda. Foi aquele constrangimento no ambiente, sabe? Mas eu pensei “ele já vai se vestir, Caio”, e, neste exato momento, ele começou a contar um caso e gesticular às gargalhadas. Um caso longo. Largou tudo, jogou as roupas no chão, e ficou lá, PELADO, rindo e contando da briga com a namorada, do vinho, de Macacos, sei lá. E não venham me dizer que Adão e Eva andavam assim, porque eles foram até EXPULSOS do paraíso! E a nudez não deveria ser “tratada com maior naturalidade” como dizem os índios e os modernosos. Não pra mim!
Ele passou a bunda quase na minha cara e tinha uma cicatriz de catapora. Me diz se eu PRECISO passar por isso? O seu direito de tirar a roupa não acaba quando começa o meu de não te ver pelado não? É muita tensão saber que você pode baixar o olho um instante e, de repente, todo mundo ficar nu. E não, não tem graça, não é legal! Não dá pra agir naturalmente.

#8 – Chuveiros em rede.
Estava eu no maior conflito entre trabalhar com o cabelo suado ou trabalhar com o cabelo suado E molhado, quando decidi que a temperatura da água é que resolveria isso. Liguei o chuveiro. Quentinho. Delícia! Entrei sem medo de ser feliz embaixo d’água e, imediatamente, ligaram o chuveiro ao lado. A água só não esfriou mais rápido que o meu humor. Gelo! Cachoeira! E eu super me controlando pra não BATER QUEIXO de frio, já que minha cabeça ficava à mostra por cima da porta e eu não queria ser piada...

#9 – Alegria de viver.
Não sei como é a seleção dos professores nas academias, mas aposto que tem uma dinâmica em grupo. Todo idiota começa a trabalhar assim – ainda que nem todo mundo que venceu uma dinâmica seja imediatamente idiota, são coisas diferentes! Mas é impressionante como a maior parte dos professores, principalmente dessas aulas coletivas, aparentam algum retardo ou atraso no desenvolvimento mental! Fiz duas aulas coletivas já: body combat e power jump. A primeira foi a mais legal. Como eu vivi tantos anos sem pular e socar o vento ao som de remixes da Aguilera? No começo, a gente se sente um pouco idiota, confesso. Eu nunca soquei ninguém, não sabia nem fechar a mão. E ainda rola todo aquele constrangimento de manter a guarda, esquivar e atacar (e o professor grita esses termos) quando, na verdade, não tem ninguém na sua frente, só uma caixa de som! Se o professor não gritasse tanto, não se autodenominasse tio (olha aqui pro tio, galera!!) e não fizesse mãozinha de treinador de boxe pra medir a força do meu soco, eu teria gostado da aula. Sério. É coreografado, é divertido! Vou até fazer outra vez!
A segunda, entretanto, já não me deixou boa impressão. São aqueles exercícios imbecis em cima de uma cama elástica individual, sabe? É a aula mais cheia e disputada. O povo até se esbarra na porta da sala. Vi uma menina separar uma cama elástica com 90 minutos de antecedência. E é mesmo divertido, não dá pra negar. As dificuldades foram só o equilíbrio, o ritmo, a professora e os colegas. O equilíbrio porque eu piso torto e pulava cada hora numa direção. Tava vendo a hora em que cairia em cima de alguém. O ritmo, porque o povo é muito frenético. Ontem, foi, inclusive, o amigo oculto da turma – o que me faz acreditar que eles pulam juntos já há algum tempo. Na hora do “mais alto”, o povo parecia que ia levantar vôo. Na hora do “acelerado”, meus olhos não conseguiam nem acompanhar. Dei meu sangue pra seguir a turma durante a primeira meia hora; na segunda, já não conseguia nem raciocinar.
A professora é a personificação da alegria de viver. Microfone de rosto (igual a Sandy), voz de taquara rachada e NENHUM bom senso. Ela CANTAVA o refrão das músicas que tocavam. De 5 em 5 minutos, perguntava “tem alguém aí?”, e a gente tinha que gritar pra responder. Fazia “ola”, e todo mundo tinha que levantar os braços no tempo certo (imagina pular no ritmo, trocar as pernas e ainda levantar os braços AO MESMO TEMPO!!!). O mais chato era a guerra dos sexos. “Eu quero ouvir o grito dos meninoooos!” – grito dos meninos – “agora as meninaaaas” – grito das meninas. Um saco. Eu não participei da “ola”, não respondi se estava lá, nem gritei na hora dos meninos. Ela até perguntou, olhando pra mim, numa das vezes, “quem não gritou com os meninos nem com as meninas eu devo entender o quê?”. Permaneci em silêncio. Ela que entendesse o que quisesse. E acho que ela entendeu mesmo, porque perguntou TRÊS VEZES quem ali tava “feliz”, e eu permaneci mudo em todas. Teve uma hora que ela colocou os meninos de frente pras meninas e elas tiveram que eleger (na verdade, teriam, porque não votaram) o mais bonito, o mais intelectual, o mais simpático, o que mais precisava de academia e mais umas coisas lá. Um mesmo menino ganhou tudo! E ela perguntou quem era solteiro (não levantei a mão) e quem tava na pista (não levantei também). Estava suado demais pra pensar ... e nem era da conta de ninguém!
A pior coisa, com certeza, foram os colegas. Boa parte deles (os meninos principalmente) se conhece há muito tempo e parece rejuvenescer a cada pulo! Era tanta “brincadeirinha”, tanta alegria de viver... Eles punham nomes nos exercícios. Tinha um que parecia dança country, e eles chamavam de cowboy, e faziam simulando um laço na mão. Tem que ser muito estúpido pra pular mexendo as pernas e ainda fingir que tá laçando alguma coisa, não é não? Parecia uma turma de sexta série, cada um mais irreverente que o outro. Nota mental: não fazer amizades. O pior é que dois dos (mais) bocós são amigos de amigos meus, que eu conheço de vista, e vou encontrar mais cedo ou mais tarde, aqui ou ali... Sorte eu não ser simpático!

#10 – Dor.
Disseram que dói no dia seguinte e é a maior mentira. Dói na hora, é instantâneo! Senti dor no cabelo na aula de Jump, juro! Dava pra escrever um livro sobre todas as dores que estou sentindo, já que nenhuma parte do meu corpo foi perdoada. Mas dói tanto que é como o amor, sabe? “Você não consegue explicar, só sentir”! E, PUTA QUE PARIU, como sente!

Perguntaram se meu plano é ficar em forma pro verão (e, maldosamente, se pro de 2011 ou 2012). Na verdade, não! Não gosto de verão. Não corro na praia, tenho alergia a cloro e não ando sem camisa. Verão é a estação do suor. Não dá pra gostar. Meu objetivo é o outono, é claro. Outro nível! As folhas no chão, aquele friozinho. Todo mundo é mais elegante no outono!
UPDATE:
Sério que eu acho que alguém na academia leu esse texto. Mudaram os professores da manhã: uma menina (que eu ia chamar de sirigaita, mas acho que tão lendo, então não vou chamar!), que só dá atenção pros meninos (é claro!) e super cuidou de mim hoje; e um menino magrinho, que deve pesar uns 50 kg (de pura credibilidade), e seria mais que de confiança se não fosse tarado por peso e me mandasse, EM TODOS OS EXERCÍCIOS, “aumentar um pesinho”. O peladão principal, que gosta de contar casos e pular às gargalhadas, trocou de roupa, hoje, sem tirar a toalha da cintura, todo tímido. Estou conseguindo fazer todos os exercícios, sem tanto sofrimento – tanto que o mini-instrutor quer porque quer que eu aumente o peso.
A academia começa a parecer um lugar melhor pra se viver.

3 comentários:

  1. Sempre sou acusada de ter despeito quanto aos gostosos. Mas a palavra não é essa, a verdade é que é puro preconceito.
    Bom saber que não sou a única, rs.

    --
    Luana (col. Tiradentes)

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  2. hahahaha você me mata de rir.
    Mas, como eu te disse, você não sabe o que são as velhas-pelancudas-sem-pudor no banheiro. Sério. Dá um desespero pensar que elas também fazem academia e estão tão flácidas.

    =)

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  3. Compactuo de praticamente tuuudo o que você disse. É inevitável admitir que você deixou as situações de uma maneira que eu diria, muuuuuito cômica. Pelo menos assim senti, porque eu poquei de rir.
    Mas enfim, pura verdade o descrito, triste verdade, mas tudo na vida requerem esforços não é mesmo? as vezes sobrehumano...

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