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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

#VaiSerMelhor


Já está me incomodando o fim de ano! Como bom gordo que sou, adoro essa época, é claro, confraternizações diárias, panetone, muito chocolate, nozes, todo mundo querendo festejar. Churrasco de fim de ano, ceia de natal, festa de reveillon. É a época do ano em que mais comemos e menos nos culpamos, graças a Deus. Pra, em janeiro, sofrermos dobrado pela proximidade do carnaval (e suas tentações).

Mas o que me mata nesse último mês do ano é esse otimismo que toma conta de todos. Todo mundo é amigo. Todo mundo se ama. Damos a todos os melhores votos e acreditamos cegamente que 2011 será melhor. Comemos lentilha, pulamos ondinha, escolhemos as cores das roupas pra usar na virada... já estudei um pouco sobre as cores e seus significados e, ao longo da última década, montei fria e calmamente os looks do povo lá de casa (os que aceitam conselhos, é claro). Nos dois últimos anos, por exemplo, virei a meia noite de camisa rosa e cueca vermelha, pra encher de amor e paixão minha vida tão morna – e, nesse aspecto, foram os dois piores anos da minha vida!
Já me vesti de amarelo, já fiz simpatia com semente de romã, já pulei ondinhas no mar. Já vivi de forma intensa e esperançosa todos esses momentos e, talvez por isso, hoje, cético e preguiçoso, sinta toda essa raiva do otimismo alheio.
Está certo que não sou a pessoa mais indicada pra falar de reveillon. Nunca tive um bom – apesar de terem sido todos inesquecíveis. Já virei o ano dentro do carro em um engarrafamento, na fila (do lado de fora) de uma pizzaria, dormindo no colo do namorado da minha prima na Lagoa da Pampulha, de pijama vendo o Show da Virada na TV. O último, nos EUA, que tinha tudo pra ser perfeito, eu passei em pé, numa comemoração na rua que começou 23:30h e terminou 00:15h (com a Polícia mandando todo mundo embora), me perdi na volta pra casa e o menino que dividia quarto comigo ainda teve uma crise de canal (aquela dor insuportável no dente). Fui a uma festa de amigos de amigos uma vez, no ano em que estava estudando pra segunda etapa do vestibular, e só tinha cerveja e água da torneira. Dois copos de cada (e oito redações só naquele dia), e eu caí no sofá. Acordei às 3:00h, com um casal se pegando em cima das minhas pernas. Acho que o pior, o mais trágico, foi um na praia, num apartamento de frente pro mar! Todo mundo tomou banho e se arrumou, eu fiquei por último e prometi descer em seguida. Trancaram a porta e levaram a chave por descuido. Virei o ano sozinho, trancado, vendo a sombra dos fogos refletidos no mar – porque a janela dava pro outro lado da praia, onde não havia comemoração... Tem como eu ser feliz nessa época?
Este ano, decidi ficar em casa. Estrear uma samba-canção linda, que comprei há quase um ano e nunca usei, comer uma coisa bem gorda, beber um trem ótimo que tá escondido num armário lá de casa (que eu não sei o que é, mas já bebi em casamentos e formaturas), deitar em 2010 e acordar em 2011. Não que eu não goste de celebrar, sou até muito apegado a esses símbolos! Só porque eu cansei mesmo. Cansei e desisti! Parei de acreditar que o que a gente faz no instante da virada se repete ao longo de todo o ano. Eu nem acredito nesse instante exato, porque estamos no horário de verão! Que bobagem investir nisso mais uma vez!
Já me dói o peito ver as pessoas prometerem, pra 2011, melhoria em tudo o que foi ruim em 2010. Porque, reparem, não importa o que digamos, nessa época do ano, as pessoas sempre respondem “mas o ano está acabando, espera só o ano que vem!”. Esperar por quê? Qual o efeito de uma meia-noite, uns fogos e uma taça de champagne na vida de quem quer que seja? Porque a mudança no último algarismo do meu calendário tem o poder de transformar tanto assim a minha vida? O dia 1º de janeiro não é só o amanhã do 31 de dezembro não? Quando foi quem ele se tornou mais que isso? Há algo de mágico que eu não consiga perceber?
Mas, ainda com toda essa resistência e não-otimismo, tenho uma festa bem legal para ir. Organizada por umas amigas e na casa de um amigo. Uma noite bem intimista e divertida. Estou até ajudando na decoração (queria um baile de máscaras, mas não sei se vai vingar!). Seremos 13 ou 15. Ou 17, sei lá. Certeza eu só tenho do número ímpar. Porque somos 3 solteiros (2 meninos e 1 menina) e uma infinidade de casais.
Vou virar o ano na Arca de Noé!
Ai, 2011...

4 comentários:

  1. Hahahahaha, desculpe, mas não pude deixar de rir! Não sei se foi sua intenção, mas esse post é muito engraçado.
    Ah, não deixa de comemorar não. Tendo validade ou não, é uma festa! E festa nunca é demais.
    =)

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  2. Como disse a mocinha ai de cima, eu POQUEI de rir, foi inevitável. Parece que você tem uns 30 anos de tantas histórias de reveillon, e a maioria não deu certo pelo visto né!? Mas relaxa, tudo melhora...ou não. rs

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  3. Adoeço com a hipocrisia no seu mais elevado grau nessa época do ano. Podemos ser melhores ao longo de todo ano, o tempo todo. Forçam demais a amizade nessa época do ano.
    Me tratem bem pela vida que segue e não somente nas duas últimas semanas do ano.

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  4. Você roubou de mim a ideia de dormir em 2010 e acordar em 2011! Só que eu sou firme e VOU FAZER ISSO MESMO. Todo ano. Pra sempre.

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