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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Diga-me com quem andas... e eu te direi "que merda!"

Ele é super companheiro, disposto e disponível, sempre uma presença divertida, mas mente o tempo inteiro. Inventa histórias, amigos, contatos... diálogos que nunca existiram. Parece ter uma necessidade imensa de parecer interessante, de ser notado, de causar inveja. Precisa de atenção. É competitivo, falso, debochado e muito cruel quando quer. Capaz de tudo pra conseguir o tão almejado destaque. E não consegue conceber a idéia de não ser o centro das atenções.
Ela é trabalhadora, muito esforçada, boa filha. Um pouco autoritária e egoísta, mas aparentemente sincera e sempre bem disposta. Mas é ambiciosa demais e não tem muitos escrúpulos quando o assunto é dinheiro. Faz questão de que todos saibam o quanto ganha, o que tem e o que terá, mas sempre desfalca os amigos na hora de repartir a conta do bar. Errinhos aparentemente bobos, que a gente releva pela convivência, mas que se tornaram comuns demais pra passarem despercebidos. Tem um bom emprego e se orgulha muito disso, mas trai a namorada com o chefe, sabe Deus por que motivo...
Ele é, sem dúvida, uma pessoa boa. Tem um coração de manteiga e está sempre disponível para ouvir e conversar. É divertido e muito animado, do tipo que agita qualquer ambiente. Mas, filho caçula de uma família gigante, tem um pouco de dificuldade em ouvir “não”. O típico “dono da bola”, que encerra a brincadeira se não se sagra vencedor. Seu egoísmo é tolerável sempre que apenas perceptível. Às vezes, entretanto, ultrapassa um pouco esse limite e sobra pra quem está por perto.
Ele tem um bom emprego, pratica esportes há anos, tem um corpo atlético e é sempre muito atencioso com todos os colegas de trabalho, principalmente os heterossexuais e as mulheres bonitas. Os gays, ele não cumprimenta; pras não muito bonitas, ele diz “não gostar nem de olhar”, e é notório seu pouco emprenho em disfarçar essas preferências. Tem filhos lindos e muito educados, e duas mulheres, uma esposa rica e mais velha e uma amante nova e bonita. Leva as duas às festas da empresa, uma de cada vez. Dorme com a esposa sempre que tem festa no BBB, porque ela comprou o pay-per-view. Almoça com a amante diariamente, quase sempre em algum motel.
A gente conhece as pessoas a nossa volta? O que a gente é tem realmente algo a ver com as pessoas com quem a gente anda? Eu quero acreditar nas pessoas, acreditar é só o que eu sei fazer, mas parece que elas não querem. Elas não deixam. Eu sei que todos temos defeitos, mas preciso mesmo aceitar todos eles? Ou cada um de nós tem uma cota de “defeitos inaceitáveis” e pode exigir isso das pessoas na hora de formar seu grupinho de amigos? Até onde aquela característica é só um defeito parte da personalidade e em que ponto se torna uma falha de caráter, uma deficiência? Família, a gente não escolhe, mas, amigos, sim! E a conclusão a que cheguei nesses últimos dias é que essa escolha tem que ser muito bem pensada, muito mesmo, o máximo possível. Quero amigos que eu possa levar à minha casa, em quem eu possa confiar, com quem eu possa conversar sobre tudo, abrir meu coração, desabafar tristezas e comemorar vitórias. Não quero ter que me preocupar com fofoca, intrigas, falsidade, inveja e competição. De que adianta ter muitos e bons amigos se, perto deles, eu não puder relaxar? Somos expostos a todo tipo de gente no horário comercial, mas não podemos (nem eu quero) usar armadura 24 horas. Deveria ser um direito fundamental ter alguém em quem confiar. E amores passam, amigos é que ficam. Por isso é que a gente tem que escolher bem. Quem eu realmente quero ter comigo em todos os momentos? Quem eu quero pra fazer parte da minha vida, já que ela é um pouco mais que uma mesa de bar, uma festa na boate ou duas idas ao cinema?
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3 comentários:

  1. Estou aqui procurando o botão "curtir".
    Ponto de vista muito bem colocado.

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  2. eu voto na "cota" para defeitos. Ninguém é obrigado a aguentar alguém "defeituoso" de fábrica e que nem mesmo procura uma "manutenção"!
    E quanto a não poder relaxar diante de amigos e parentes, isso e super chato. Parece que não somos nós mesmos, porque temos que pensar em cada palavra dita, para não escorregar e falar muito sobre a vida pessoal. péssimo!, principalmente em família, que às vezes não tem muito como evitar.

    Abração Caiozito,

    até. ^^

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  3. sempre tenho a impressão d q vc vigia minha vida e rouba meus pensamentos. kkkkk SEMPRE! texto perfeito! bjs!

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