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domingo, 10 de abril de 2011

Bolsonaro e Wonderland


Eu não ia falar sobre o Bolsonaro porque, até muito pouco tempo - poucos instantes, eu diria -, isso tudo não passava de uma grande brincadeira pra mim. Eu sinceramente acreditava (ou ainda acredito?) que o Deputado Jair Bolsonaro, estrela das últimas manchetes dos jornais e da TV, não era homofóbico, muito menos racista. Na minha doce ilusão, no meu país das maravilhas, ele era só um senhor espirituoso. Um cara brincalhão que estava em casa, agora, morrendo de rir de si e de nós. E de como as coisas são no nosso país.
Mas não sei... Ele passa tanta segurança e certeza. Fala aqueles absurdos com tanta convicção, que, há pouco, me ocorreu a remota possibilidade de ele estar falando sério. A triste possibilidade de ele realmente acreditar numa superioridade branca, cristã e heterossexual, e atribuir "promiscuidade" a tudo o que for diferente disso. É coisa da minha cabeça, não é? Isso não está acontecendo, está? Não no século XXI. Eu dormi e voltamos no tempo? Ou foi ele quem dormiu há séculos e acabou de acordar?
Pesquisei na internet (crianças, não façam isso em casa!) outras notícias sobre ele. Quis saber mais sobre a nova (já velha, desde a tragédia na escola no Rio) celebridade da imprensa, e descobri que não foi apenas um incidente no CQC... Bolsonaro se repete, reafirma toda a sua “sabedoria” a quem quiser ouvir. São entrevistas, vídeos e declarações nos mais diversos veículos que só fazem predizer o apocalipse. Sim, o fim dos tempos. O dia em que os negros voltarão aos troncos e os gays às fogueiras.
Pior que as palavras de Bolsonaro, é só o que ele representa pro nosso país. Que esse discurso ainda existe, estamos todos cansados de saber, mas isso não pode ser tido como algo natural. Não é uma opinião, é um crime!
A primeira questão é que há coisas que nós só podemos pensar, NUNCA dizer... muito menos em rede nacional. A outra, e principal, é que elegemos os nossos políticos para que eles nos representem, para que lutem por nossos interesses e nos garantam um mundo mais justo e menos desigual. E, aí, o que um deles faz? Vai à TV acirrar o preconceito, alimentar a ignorância e desanimar qualquer pessoa minimamente inteligente e humana. Porque é assim que eu me sinto frente a isso, desanimado.
Bolsonaro, para quem não sabe, cumpre, atualmente, sua sexta legislatura na Câmara dos Deputados (e, porque a vida é irônica, foi eleito pelo Partido Progressista), ou seja, foi eleito SEIS VEZES por muitos brasileiros, por identificação ou confiança. Espero que seja possível CONFIAR (pra mim, já adianto que não é) em alguém assim, porque não posso conceber a hipótese da identificação. Será que seus eleitores também pensam assim? Será que há, ainda, tanta gente tão bitolada e ignorante no nosso país? Diz que não, diz! Diz que é brincadeirinha... A nossa evolução é uma parábola e já chegou a hora de descer?
Claro que há sempre um lado Pollyanna de enxergar as coisas e toda essa mobilização nacional em torno do tema me anima bastante. Abaixo assinado, denúncia ao Conselho de Ética, críticas e mais críticas... Espero mesmo que o Brasil não tenha gostado e corra atrás de acertar as coisas. Se ele mostrou pro Brasil que o preconceito existe e não se esconde nas cabeças das pessoas e nos becos escuros das cidades, é hora de o Brasil se mobilizar e acabar com isso.
Bolsonaro me trouxe de volta do país das maravilhas, mas, desculpem, quero voltar pra lá. Prefiro acreditar na existência de dois mundos, um pra mim e outro pra ele... ou eles, sejam quantos forem... 
Nessas horas, a gente vê que não conhece bem bem o inimigo...

2 comentários:

  1. http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/04/grupo-pro-bolsonaro-diz-protestar-contra-201cditadura-do-pensamento-unico201d

    É, gente...
    O trem tá é feio!

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  2. meu Deus!
    o trem ta feio meeeesmo! não bastasse o cara fazer o q fez em rede nacional, ele ainda arruma seguidores? FU! to chocada!

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