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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Descansar em paz pra quê?

Descobri que a avó de uma amiga é médium, recebe "entidades" e tem sido procurada por alguns amigos meus que querem conversar com familiares falecidos. Não bastasse essa surpresa, soube, por um deles, de vários outros casos a esse respeito e que isso é muito mais comum do que eu imaginava. Ouvi que é fácil censurar tendo pai, mãe e irmão vivos, e talvez seja mesmo. E não diria que censuro, mas, sinceramente, não aprovo nem considero isso normal. Não consigo, nem com esforço.
Não é preconceito nem intolerância. É uma questão humana mesmo, mas outra. Será possível que precisemos ser tão egoístas assim sempre? Não basta o que vivemos com as pessoas, queremo-nas depois de mortas também? Não me interessa se a sua missão está cumprida, quero falar com você. Volte! Dê notícias do paraíso, diz que sente a minha falta, mata minha curiosidade, faz uma previsão pro meu futuro... Que saudade eu tava de você!
A morte, pra mim, é, e sempre será, uma libertação. Antes do fim da linha, é o começo de outra fase. Outra! Que, segundo o próprio nome, é diferente dessa. Diferente e independente. E me dói um pouco o peito ver gente chorando por isso. Gente que, por egoísmo ou carência, não se permite respeitar o descanso daqueles que tanto amaram. Porque eu sei que é amor, mas também sei que o amor pode e deve ser diferente. Gente que pede, entre lágrimas e orações, pela aparição de alguém que desapareceu na hora em que tinha que desaparecer. Nem antes nem depois, sabemos disso.
Fomos criados ouvindo que, depois de mortos, nossos entes queridos tornam-se espíritos de luz que nos guiam e protegem. Alguma coisa nos diz que eles têm algo a nos dizer. Só que pode ser que não tenham. Pode ser que, da morte pra lá, a vida seja até mais emocionante. Nós é que, egocêntricos, não vemos outra função para um espírito que não nos perseguir. É difícil conceber que alguém que já morreu tenha mais o que fazer.
Não sei. É fé, é amor, é saudade... e é egoísmo também. E, talvez, eu só saiba mesmo quando perder um dos meus. Até lá, caso o contrário aconteça e eu os deixe de repente, confiem no que vivi, por favor. Falei, amei, chorei e fui muito feliz. O suficiente pra não deixar nada pendente. Só levo daqui boas lembranças, mais nada.
Se houver outra vida depois dessa, será um prazer rever vocês. Se não, e eu morrer, peço que, em minha homenagem, você siga com a sua e seja muito feliz. Eu fui e serei, tenha certeza... Só não perturbe!

2 comentários:

  1. olha...
    eu diria que você é o primeiro 'anti-social póstumo' de que tenho notícia.

    =)

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  2. Não tenho uma posição definida sobre o assunto. Tenho vontade e medo do que pode vir do lado de lá! A única coisa que sei é que nessa dúvida do que pode vir, a saudade de quem já foi é o que preenche os dias de quem ficou.

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