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sábado, 7 de maio de 2011

União Homoafetiva - A vez do Brasil

O amor não escolhe hora para acontecer. Não tem precedentes. O amor não tem nenhum critério. Une pessoas parecidas, pessoas diferentes. Causa guerras e inimizades, os mais diversos resultados. O amor é instrumento, é meio, fundamento e combustível. O amor é sonho também e é incontrolável.
Gente passa a vida sem conhecer. Gente conhece cedo e fica só reconhecendo. E ainda tem aquela gente que ele visita várias vezes, porque amor nunca é demais.
Pode se dar de tantas formas e ter tantos e tão diversos efeitos, que só o que cabe a nós é esperar que aconteça. Esperar e acreditar.
Quando acontece, a gente abraça, a gente beija, a gente luta e faz o possível pra não deixar morrer. Casa, namora, foge... O amor acontece quando quer e só a sua manutenção depende da nossa vontade. Mesmo assim, nem sempre.
A gente espera tanto que tem que fazer valer a pena...
E o amor não tem cor, não tem sexo, não tá nem aí pra nada. Rico e pobre, preto e branco, alto e baixo, homem e... homem. O amor é exatamente a única coisa que todos temos em comum. Essa capacidade de amar...
Lulu Santos canta, em uma das minhas músicas prediletas, “a gente vai à luta e conhece a dor, consideramos justa toda forma de amor”. De I Will Survive a Born This Way, o que os gays fizeram de melhor foi essa ampla e diversificada coleção de hinos. Daí, hoje em dia, alguns artistas dedicarem a eles a sua produção. Há, na poesia, também, muito material a ser explorado. Já dizia Clarice Lispector, em um pensamento curto e completo: “Já que sou, o jeito é ser”.
Frases, poemas e canções que compuseram uma história de lutas e vitórias, marcada, agora, pelas palavras do Ministro Carlos Ayres Britto, ontem, na votação sobre a legalização da União Homoafetiva no Supremo Tribunal Federal, que marcou o início de uma nova era no Direito Brasileiro.
O sexo das pessoas, salvo expressa disposição constitucional em contrário, não se expressa como fato de desigualação jurídica. A Constituição Federal opera com intencional silêncio. Mas a ausência de lei não é ausência de direito, porque o direito é maior que a lei. Com essas palavras, o Ministro proferiu o primeiro dos dez votos favoráveis à equiparação dos casais homossexuais aos heterossexuais no que diz respeito à união estável e, assim, garantiu 112 direitos, dentre eles pensão e herança, às dezenas de milhares de casais gays em todo o país.
Não pensei que viveria pra ver isso, e vi. Não pensei que o Brasil chegaria tão longe, e ele chegou. É uma honra poder ver e participar de tudo isso. Dá até orgulho de ser brasileiro...

3 comentários:

  1. Finalmente! Falta muito ainda para a igualdade total chegar, mas já é um excelente começo!

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  2. ADOREI o seu texto.Passei a seguir o seu Blog e aproveito para convidá-lo a seguir:
    www.culturapraquetequero.blogspot.come
    www.vivendonaflauta.blogspot.com

    Um abraço Jocely - Jô -

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  3. Lindo seu texto! E lindimais aquele julgamento *-*

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