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domingo, 31 de julho de 2011

Inquilino

Ele é muito bonito e, na verdade, não é. Não é alto, não é forte, não tem nenhum traço que o diferencie da multidão. Mas é impossível resistir ao encanto que emana de toda aquela normalidade.
Parece não ter explicação, mas tem. O que atrai é a juventude contrastando com a responsabilidade. A aliança na mão esquerda e todas aquelas espinhas no rosto. O que o faz bonito é a disposição com que varre a casa enquanto a esposa cozinha. O sorriso fácil, o horário certo em que a TV é ligada e desligada todos os dias, a forma como puxa as cortinas, a rotina.
O que atrai é o enquadramento das janelas que separam esses dois mundos tão próximos e tão distantes. O que atrai é o não.

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