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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Preguiça

- E aí, Doutor? O que é?
- Pois então. Saíram os resultados dos exames e é bem grave, vocês precisam ser fortes.
- Ai, meu Deus! Ele vai morrer?
- Não! Morrer não! Quero dizer, não por isso, não agora. Os exames apenas confirmaram a suspeita levantada pelo raio-x e a análise dos sintomas. É Preguiça!
- Preguiça? Ai, Doutor! E isso é grave? Tem cura?

- Cura não há. O que alguns pacientes conseguem fazer é conviver com a doença. Mas, sinceramente, são poucos. A maioria perde, lentamente, a aceleração do coração e a sensibilidade do estômago e, embora isso não seja irreversível, são raríssimos os casos em que há recuperação. A Preguiça é como um câncer, começa pequena, como um carocinho que ninguém repara e, de repente, se alastra pelo corpo todo, toma os órgãos, altera a pressão e embanana pra sempre os hormônios.
- E de onde ele pegou isso?
- O meio de contaminação é desconhecido. Apenas sabemos que é do contato humano mesmo, mas não é vírus nem bactéria. É alguma coisa ainda não identificada que as pessoas passam umas pras outras geralmente em situações de tensão. Mas o rapaz está bem, não se preocupem. Ele é forte. A medicação é pesada e deve deixar ele fora do ar por uns dias, mas não se preocupem. Ele vai dormir bastante e, quando acordar, estará de volta à vida normal. Talvez um pouco mais lento e com alguma seqüela. A doença, como eu disse, é grave e exige uma série de cuidados. O mesmo, ele nunca mais será, mas está vivo e é isso o que importa!

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