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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

2011 em músicas

Dessa vez, eu resolvi me arriscar em um campo que não domino, pôr em perigo a minha paciência com as reclamações que já prevejo e listar as 10 melhores músicas do ano na minha opinião – ou as 10 que eu mais ouvi e não reclamei (o que exclui, por exemplo, Ai Se eu Te Pego). Nem sei se essas músicas são mesmo desse ano, pode ser que nem sejam, mas foram cuidadosamente selecionadas e seguem bem explicadinhas.

 

#10 – Till The World Ends – Britney Spears

Longe de ser a melhor música da Britney, essa não é nem a minha favorita no último CD, porque eu gosto mais de I Wanna Go. Composta pela Ke$ha, é só mais um hit muito bem fabricado e que deu certo. Tem os ingredientes necessários, testados e pré-estabelecidos para emplacar e, como não poderia deixar de ser, emplacou mesmo. Roupas sensuais, gente suada, coreografia... tudo medido e calculado como em uma receita de bolo que assou, cresceu e todo mundo gostou. Em todas as festas em que estive presente esse ano, TTWE levantou as pessoas como nenhuma outra música foi capaz de fazer. É a Britney Bitch mostrando que não canta, já não dança e só faz o necessário, mas ainda é a princesinha do pop.

 

#9 – Você Já Deveria Saber – Manu Gavassi

Essa música não tem clipe e, se eu não me engano, nem tá em nenhum CD. Manu Gavassi, cantora e compositora, também não é famosa e representa bem pouco de tudo a que se propôs quando surgiu. Lançada pela MTV, Manu veio para “ocupar o lugar deixado por Sandy”. Cabelo liso, esmaltes coloridos, saia de bailarina e violão cor de rosa, ela usou e abusou de todos os clichês que pode em busca do “sucesso”, que, claro, só veio quando namorou um menino do Restart, que foi para quem ela compôs essa música. Em uma entrevista, Manu chegou a dizer que se inspira muito em Taylor Swift e, embora esteja fazendo isso errado, algo elas têm mesmo em comum: ambas compõem suas próprias músicas inspiradas sempre nos seus ex-namorados. A minha favorita é Você Tá Namorando, mas Você Já Deveria Saber tem algo que me encanta e me fez ouvir várias vezes. Como em Irreplaceable e Best Thing I Never Had da Beyoncé, Picture to Burn da Taylor Swift e Womanizer da Britney, dentre várias outras músicas lindas, o eu-lírico, aqui, é uma mulher p* da vida com o homem amado. A mulherzinha apaixonada da grande maioria dos singles dá lugar, aqui, à desilusão, à revolta e, principalmente, à vingança. Não há nada mais interessante e criativo que uma mulher mordida. Toda grande cantora tem ou deveria ter uma música assim. A Manu só já garantiu a sua.

 

#8 – Moves Like Jagger – Maroon 5 feat. Christina Aguilera

Quando essa música foi lançada, Adam Levine prometeu que seria “a música do verão” e não deu outra. O verão já chegou ao hemisfério sul e Moves Like Jagger continua sendo bastante executada em todos os lugares. É uma música boa e dançante, interpretada por dois dos melhores intérpretes da atualidade. Eu adoro parcerias e essa é uma que não tinha mesmo como dar errado. Poderia ser melhor, é claro. Como dá pra ver, Christina não está na sua melhor forma e isso fica nítido quando ela tenta dançar. O clipe não é bom e as apresentações ao vivo também deixam um pouco a desejar. À época do lançamento, só se falava na pequena participação da cantora. É que o vozeirão da Aguilera caiu tão bem à música que, enquanto é só o Adam quem canta, o que ele me passa é ansiedade. Parece que até ele quer que passem logo os quase três minutos e ela entre pros trinta segundos finais, gordinha e desajeitada, fazendo toda a espera por sua aparição valer a pena. Porque é isso o que acontece.

 

#7 – As Lembranças Vão na Mala – Luan Santana

Joguem pedra em mim, mas eu adoro Luan Santana. Adoro. Gostava muito de Química do Amor, que ele canta com a Ivete Sangalo, mas essa é, sem dúvida, a melhor do Luan. Além de ter um ritmo gostoso (vençam esses preconceitos, pessoas!), a letrinha é muito bonitinha. A escolha das palavras está longe de ser o forte dele. Em quase todas as suas músicas, encontro expressões que eu talvez jamais utilizasse (como “data pra marcar seu calendário” e “palhaçada pra te ver sorrir”), mas consigo ver uma boa intenção por trás de toda essa falta de jeito. Falta de jeito essa, inclusive, que eu acredito ser intencional. Nada encanta mais essas adolescentes ensandecidas que esse ar caipira, essa “simplicidade” (vocabular)... Essa música, para mim, é isso. Um jeito sem jeito de se falar com a pessoa amada após a separação. Um desabafo muito do bonitinho, embora não muito bem escrito.

 

#6 – Last Friday Night (T.G.I.F.) – Katy Perry

Talvez o mundo e a própria Katy Perry concordem que 2011 foi o ano de Firework, mas LFN me traz lembranças muito boas. É uma música divertida, uma das melhores do CD, e embalou algumas noites inesquecíveis do meu ano. Apesar das participações de Rebecca Black, Hansons, Glee e Kenny G, o clipe não é tão legal quanto eu esperava e achei que poderia ser. LFN dá vontade de dançar, de pular, de correr pela rua e encenar todas as atrocidades narradas. É uma música contagiante de verdade, que não combina com essa festa ensaiada e bem marcada. Faltou table tops, faltou emoção. Salvo o excelente Hot’n Cold, as músicas da Katy costumam ser melhores que seus clipes mesmo.

 

#5 – California King Bed – Rihanna

California King Bed é o auge da carreira da Rihanna e eu sei que só eu penso assim. Rihanna tem, em comum com outras cantoras como Ke$ha e Lady Gaga, uma necessidade muito grande de chocar as pessoas. O exagero é uma estratégia geralmente utilizada para chamar a atenção quando não se tem muito o que mostrar. Quem canta de verdade canta. Quem não canta é que sangra, quebra guitarras e se pendura pelo bucho fingindo voar no palco. E, em CKB, Rihanna canta maravilhosamente. O clipe é simples e lindo, não tem sexo, não tem plágio, não quer mostrar nada pra sociedade. Nas apresentações, foi sempre um ponto alto. Em BH, a platéia cantou quase sozinha, porque não há quem não se apaixone por essa letra. A história de um casal encontra, na cama, a metáfora perfeita para falar da distância. Uma cama grande que abriga um abismo entre dois amantes. O amor, a vontade de ficar juntos, e a distância que se estabelece e é difícil de transpor. A melhor música de Loud, uma das melhores da carreira da Rihanna. A prova de que ela pode chocar, mas não precisa.

 

#4 – F**kin’ Perfect – P!nk

Ela andava sumida e ressurgiu com a excelente Raise Your Glass, que eu achei que seria a música desse ano (ainda que tenha sido lançada em novembro de 2010), mas foi com F**kin’ Perfect que a P!nk roubou a cena em 2011. O clipe é horrível (ou o de Raise Your Glass é tão que a comparação não pode ser justa), mais do mesmo sobre bullying e auto-estima, bem feito, criativo em alguns pontos, mas fraco e cansativo se comparado a outras versões, como as da Christina Aguilera, Katy Perry e Jessie J. O forte dessa música, além da simples presença da P!nk, que já favorece por si só, é a letra linda, que fala sobre insegurança, erros e acertos, amor próprio e, principalmente, sobre força e determinação. Change the voices in your head, make them like you instead…

 

#3 – Set Fire to The Rain – Adele

2011 foi o ano da Adele e isso ninguém discute. E, claro, sua atual música de maior sucesso, graças à ajuda da novela da Globo, é Someone Like You, mas nada se compara a Set Fire to The Rain. Nada. Eu acho até bom não ter clipe, porque são tão grandes as minhas expectativas que a frustração é certa. A letra é linda, os tons, os vídeos e a própria Adele, que dispensa apresentações. Set Fire to The Rain é um clássico pronto, esperando apenas o tempo passar.

 

#2 – Love On Top – Beyoncé

A idéia era que 2011 fosse “The Year of 4”, mas não deu certo não. O CD vendeu pouco, a gravidez desacelerou a cantora e os inúmeros clipes lançados não são, digamos, tão bons quanto poderiam ser. Best Thing I Never Had é lindo, é o Irreplaceable moderno, que traz uma Beyoncé mais linda que nunca, vestindo pouco, mostrando muito e fazendo bonito. Countdown tentou ser legal e foi até eleito o melhor de 2011 pelo Papel Pop, apesar das críticas de plágio, mas, para mim, não passa de uma idéia legalzinha com execução boazinha, tudo no diminutivo. Run the World (Girls) fez tanto barulho que estourou em silêncio; 1+1 deu origem a um vídeo que ficaria perfeito numa campanha de margarina, óleo de cozinha ou lubrificante para sexo anal; e End of Time tinha tudo pra virar o jogo, mas não virou nem single – coisa que eu jamais vou entender! Por maiores, melhores e mais “ousadas” que tenham sido as produções desse novo CD, mais uma vez, a vitória veio da simplicidade. Love On Top tem uma letra linda, mas não muito elaborada. É uma canção de amor como várias outras. Eu me apaixonei foi quando vi o videoclipe, talvez o melhor da carreira da cantora (ou o segundo, já que Single Ladies é eterno). Um cenário, quatro figurinos, uma cantora, cinco dançarinos, uma coreografia e o talento em sua melhor expressão. Beyoncé gravou um videoclipe cantando e dançando com cinco rapazes e o resultado é surpreendente. É leve, dançante, bonito, simples e, ao mesmo tempo, brilhante. É a Beyoncé mostrando que não é preciso muito para fazer um bom trabalho. É a Beyoncé mostrando porque é a melhor – e vai ser ainda por muito tempo.

 

#1 – Yoü and I – Lady Gaga

Eu não gosto dela. Nunca gostei. Desde que a vi sangrando pendurada numa corda, adquiri uma antipatia imensa pela sua “originalidade” tantas vezes questionada. Confesso que ainda penso assim, mas, hoje, não posso mais fazer campanha contra quem compôs e gravou uma música como Yoü and I. Acostumada a investir mais nos nossos olhos que nos ouvidos, essa música foi, talvez, a primeira vez em que eu a vi inverter essas prioridades e tentar atingir os nossos corações com uma letra linda, sensível e romântica, que, de tão intimista, parece até universal. É a história de um amor, de um reencontro, de uma segunda chance. Quem nunca viveu isso sonha em viver um dia, com certeza. Essa é, sem dúvida, a obra-prima da Lady Gaga. Adoro os agudos bem distribuídos e gradativos de acordo com a emoção das estrofes. A sensação que eu tenho é de que ela faz música como um cientista, com medidas e procedimentos exatos, e essa foi a sua maior criação. O clipe e a coreografia são muito legais, mas totalmente dispensáveis – ainda que em nada prejudiquem a qualidade da música, é claro. Mas Yoü and I é do tipo que ainda seria linda sem nenhuma produção. Gaga disse, em uma entrevista, que investe muito em aparência e quer criar sempre novas imagens e conceitos, mas que, acima de tudo, é uma cantora e, como cantora, só precisa de um piano para fazer as pessoas chorarem. Agora, eu posso concordar. Jogue fora (quase) tudo o que você já fez, sente-se aí nesse piano e nos conte a história do seu amor com o rapazinho de Nebraska, Gaga. Conte, cante, grite... pode até dançar. Só nao sangre, por favor. Deixe sangrando apenas o meu coração, que já tá bom!

 

# Menções Honrosas:

Quero registrar breves menções honrosas para três músicas que eu acho que só tocaram aqui em casa, mas têm muito valor sentimental e seria injusto não entrarem nessa lista.

 

Se enamora – Tiê

 

Speechless – Lady Gaga

 

Abracadabra – Jessie J

Um comentário:

  1. Ahh Caiozito, fico tão feliz de ver que você dedicou um espaço a musicas no Blog! Me deu até vontade de voltar a escrever no meu.
    =D

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