Páginas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz Amnésia Nova

Hoje, eu vi Noite de Ano Novo no cinema. Fui cheio de preconceitos porque não gosto dessas comédias românticas com todos os atores do mundo, já que, geralmente, são confusas e não conseguem explorar o melhor de cada uma das dezenas de histórias. E, claro, eu estava certo. O filme é uma confusão sem fim, um entra e sai, um sobe e desce... Tem pontos muito positivos e, talvez, desse “gênero”, seja o mais bem amarradinho dos últimos tempos. Mas ainda é um filme-bagunça, infelizmente.

Chorei durante toda a sessão e festejei o fato de estar sozinho porque ninguém conseguiria me respeitar se tivesse visto as minhas reações a determinadas cenas. Além da linda e batida mensagem do ano novo como uma nova chance, um novo tempo, um recomeço, o filme focou, em alguns momentos, um contraponto muito interessante. Antes da chegada do dia 01, que é quando a gente celebra a esperança (porque acredita cegamente que tudo pode ser diferente, embora não tenha quase nenhum motivo para isso, só mesmo a esperança), nós temos semanas, dias e até os últimos segundos da contagem regressiva para fazer coisas que preferimos esquecer.

Antes de esperar que o ano novo nos traga um novo amor, nós temos o ano velho para acertar os ponteiros com os relacionamentos mal resolvidos. Para pedir desculpas pelos nossos erros e refazer o que acreditamos ter o poder de mudar. Temos, ainda, tempo para arrependimentos, recomeços, acertos e, principalmente, perdões. A gente deposita toda a expectativa no ano novo porque é mais prático. Dá muito menos trabalho esperar por mudanças que levantar da cadeira e mudar as coisas, principalmente quando o tempo parece correr mais rápido e caminhar para um fim (que é outro começo, o que, por si só, já é confuso).

Mas eu chorei, principalmente (quero dizer, eu acho que), porque tenho uma certa (muito grande) dificuldade em perdoar. Desenvolvi meu próprio perdão, que as pessoas simplesmente não entendem – e eu não consigo explicar. Porque eu perdôo as pessoas. De verdade. Eu fico triste, eu sofro, eu faço drama, eu acho que vou morrer... mas passa. E, quando passa, o perdão é automático (e tácito). Só que eu não esqueço. Minha memória é péssima pra quase tudo que eu gostaria que ela fosse boa, e vice-versa. Eu não consigo esquecer mentiras, traições, pisadas na bola. Não consigo. E há certas atitudes que, infelizmente, mudam definitivamente o curso das próximas. Fui roubado por um amigo em 2010 e, agora, ele quer que eu o perdoe e a nossa amizade volte a ser como antes. Não tem jeito! Não o odeio, não quero que ele morra, nem raiva eu sinto mais. Mas a confiança acabou e isso não tem volta. Não entendo o que ele fez, mas perdôo. Tá perdoado! Siga em frente, seja feliz. Só respeite o meu direito de não confiar mais em você, de não te querer mais por perto. Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia... Eu sou perfeitamente capaz de perdoar, o que eu não consigo é esquecer ou fingir que não aconteceu. Desculpa!

Meu 2011 foi marcado por muitas decepções e perdas em todos os campos, eu diria. Mas foi um ano bom. Não sei se eu digo isso sempre, mas, talvez, tenha sido o melhor dos últimos tempos. Porque, problemas, nós sempre temos. Mas não me lembro de ter me livrado tão bem de tantos problemas em tão pouco tempo. Arrisco-me a dizer que estou vivendo a minha melhor fase em todos os aspectos. Trabalhei em três lugares diferentes e todas as mudanças foram positivas – embora não necessariamente planejadas. Tive muitos problemas em casa (não tanto quanto 2009, por exemplo), mas percebo que minha relação com a família mudou radicalmente, e isso me faz sentir melhor. Não posso dizer que “entendo” certas coisas ainda, mas aprendi a ignorar algumas, a responder outras e a me defender de tudo. É isso que chamam “convivência”, eu acho. Ou maturidade, não sei.

Para o amor, 2011 ainda não foi o ano. Mas, para a independência, com certeza. Decidi que aprenderia a conviver com a solidão e brinco que já faço isso tão bem atualmente, que estou pertinho do ponto em que não caberá mais alguém na minha vida. Em relação aos amigos, o objetivo era preservar a sinceridade e a opinião, mas pensar sempre antes de me manifestar. Eu quis ser gentil em 2011 e, embora não tanto quanto deveria, eu acho que consegui. Tentei não permitir que a gentileza me forçasse a fazer ou dizer o que não queria e quase consegui também. Sinto que fui uma companhia mais agradável, uma pessoa mais querida, uma opinião mais bem vinda. Mas sinto que me afastei de alguns amigos também. Eu sorri mais, mas não fui mais feliz. Eu apenas sorri porque parece verdade essa história de que um sorriso faz as pessoas ao nosso redor mais felizes. Mas eu preservei minhas dores e idéias e, enquanto a boca sorria, os olhos observavam atentamente coisas que o coração não conseguiu entender e a mente preferiu afastar. Pessoas principalmente.

Hoje, ainda é dia 29 e eu tenho quase 72 horas para mudar algumas coisas se eu quiser. Só que eu não quero. Entendi o que o filme quis me dizer, me emocionei e encorajo todos vocês. É sempre tempo de mudar! As coisas só acabam quando terminam, embora isso pareça óbvio. Mas, comigo, não funciona assim. Sinto que não sei consertar coisas, infelizmente. E sigo tentando esquecer. Para 2012, eu peço novos ares. Novas pessoas, novos amores, novos amigos (e os velhos, que a vida tratou de selecionar, sempre por perto). Quero novas experiências, novos desafios, novos medos, erros e acertos. Quero uma pedra grande e pesada em cima de 2011, 2010, 2009…

Eu sei que o dia 01 é só mais um dia que vem logo após o 31. E sei, também, que preciso terminar de viver um ano para começar a viver o outro, porque a virada não apaga o que não foi resolvido. Mas, nos 10 últimos segundos de 2011, como em todos os outros anos da minha vida, eu vou me forçar a acreditar nessa mentira. Vou fechar os olhos e fingir que esqueci. Vou renascer em 2012 sem nenhuma lembrança, nenhum problema, nenhuma mágoa. Quero uma vida toda nova, começando do zero, por favor. É pra frente que se anda. É pra frente que eu quero andar! E, se eu não puder acreditar nisso, podem cancelar logo essa palhaçada porque nem de branco eu gosto…

4 comentários:

  1. Gostei muita da parte que você fala que "algo só acaba quando termina". É a mais pura verdade. Não adianta a gente esperar que o novo ano seja diferente, se nós deixarmos pendências no atual ano. Eu sempre prometo muito para o ano novo, mas esse ano é o primeiro que me vejo na NECESSIDADE de mudar. Necessidade de me expressar, de não tentar agradar, de ser organizada... e acredito que as mudanças mais significativas vêm nessa hora - aquela hora que percebemos que a mudança é vital.

    Ótimo texto, mais uma vez.

    ResponderExcluir
  2. optei pela continuidade, não pelo recomeço.

    ResponderExcluir
  3. Acheeeeeeeeeeeeei o blog q vc não quis me mostrar!!!kkkk... E já nesse primeiro post q li, apaixonei!!! S2

    ResponderExcluir
  4. O passado é tão incerto quanto o futuro, ás vezes. Memórias são mutáveis, desejos também. Boa sorte em 2012. XD

    ResponderExcluir