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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sobre viver

Há alguns muitos anos, um corajoso qualquer abriu uma loja de colchões no meu bairro. Bairro pobre, pobre mesmo, de recursos e todo tipo de comércio. Pobre de farmácia, pobre de escolas, pobre de restaurantes... mas com uma loja de colchões! Daí, a coragem.
E, ao longo de todo esse tempo, eu nunca vi alguém sair de lá com uma almofada sequer. Nunca! Já passei de carro nos mais diversos momentos do dia, inclusive nos fins de semana. Já passei andando também, e já esperei (bastante tempo) por ônibus na porta da loja e nada!
Colchões são artigos de extrema importância, mas de grande durabilidade. Não me lembro de ter tido muitos colchões na vida. Vender colchões pra um bairro pequeno e pobre não deve ser fácil, imagine! Mas eles vendem.
Não sei se vendem a noite ou pela internet. Não sei se as entregas só acontecem de madrugada. Não sei que diabo de colchão eles vendem, já que ninguém nunca viu, mas tenho certeza de que vendem. Não é tão fácil assim sobreviver no capitalismo, muito menos por tanto tempo.
As coisas, às vezes, não têm vida aos nossos olhos, mas isso não quer dizer que estejam mortas. A gente olha e não vê nada, mas, se está ali, existe (pensando ou não). É assim com essa loja de colchões, é assim com algumas plantas, é assim com a natureza. E é assim com as pessoas também.
A gente não desiste dessa idéia boba de sobreviver.

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