Páginas

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Boa noite


Eles devem estar se divertindo agora. Música alta, muita gente dançando, aquele climinha bom de que tudo pode acontecer. Mas isso não vale a minha noite de sono. Na verdade, ultimamente, pouca coisa tem valido uma noite de sono. Não há tanta diversão em casa, não há bons filmes na TV e eu nem gosto de cachorros. Aqui, só meus pais dormindo cedo e o silêncio. O silêncio dos cães que já não latem mais, o silêncio da TV desligada, o silêncio do sono alheio, do previsível, do futuro escrito e anunciado, o silêncio da solidão. O silêncio ideal para as noites de sono que valem sempre tanto. Desde que adotei a noite de sono como moeda-critério para fazer ou não fazer algo, tenho dormido muito (e) bem. Lá fora, o mundo, o amor que eu ainda não encontrei, as risadas que eu daria (ou darei), as próximas páginas da história que eu achei por bem pausar. Tudo pronto, esperando eu acordar e sair dessa cama. Esperando a página em que eu me canso de tudo (ou de nada) e escolho arriscar. E eu já não sei nem se o amor vale uma noite de sono.
Essa história não vale...

2 comentários: