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sexta-feira, 6 de julho de 2012

THE END


Eu já tô quase pronto, você já pode ir estacionando. Você tá vindo de carro? Não que precise, mas não dá pra fugir correndo daqui, eu moro numa descida, ia chegar pingando suor no paraíso. E eu não sou tão convencional pra esperar por um cavalo branco, mas, se for o caso, você só me avisa pra eu por uma blusa de frio. Qualquer ventinho ferra a minha garganta.
E a gente não pode ir pra muito longe também, porque vamos ter que voltar pra buscar minhas coisas. Não tem emoção nenhuma correr cheio de malas e caixas, então eu vou só com a roupa do corpo, pra cena ser completa. Depois, a gente volta e busca tudo, sem pressa.
A janela do meu quarto dá pro fundo da casa – e ainda é alta, dá nem pra pular. Mas pode buzinar, que eu corro pra da sala. Pensei até em derrubar uma cadeira ou chutar um tapete no caminho, pra fazer barulho e compor a atmosfera. Espere sorrindo, mas guarde as lágrimas pra quando eu me embolar com a cortina. Eu sou sem jeito, você sabe, e tem que aprender a achar graça disso se quiser ser feliz para sempre comigo.
A janela tem grade e eu só tenho chave da porta pra perder todo dia. Assim que achar, eu abro afobado, atravesso a varanda e pulo o arbusto do final do jardim. Poderia dar a volta na pilastra como uma pessoa civilizada, mas isso não combina com respiração ofegante e alegria no olhar. Aí, será só mais um portão entre nós, que eu posso deixar aberto para os cachorros fugirem também. Eu já escolhi a música pra quando subirem os créditos, é só dar play.
Eu já to quase pronto mesmo. Cê tá chegando?


2 comentários:

  1. NUUUUUUUUUUUUUSSA!!! Mto mto mto bom!!! acabou de virar meu 11° preferido!!! hehehe

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