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sábado, 25 de agosto de 2012

Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar


“Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar”, ela diz. E eu repito, sorrindo um sorriso molhado, como quem não quer mais chorar. Não há, mesmo, motivo para tanto. Mas dói - um pouquinho.
“Eu não sei dançar tão devagar” e acho que nunca vou saber. Não é você, sou eu – e, aqui, nem é desculpa pra terminar nada. Sou eu mesmo, o problema é comigo. Eu não tenho tempo. Não sei “dar tempo ao tempo”, não sei “ir devagar”, não sei “esperar”. Na verdade, eu não sei nem deixar as coisas acontecerem. Não sei, nem quero saber. Eu tenho pressa. É uma sede, uma angústia, uma urgência... Como se eu tivesse certa pressa pra viver, enquanto lamento, em silêncio e por escrito, o fato de a vida passar, lenta e vazia, por baixo dessa janela fechada. Eu quero viver logo, porque não me sinto vivo ainda.
“Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar”. Desculpe a correria. Não leve a mal esse trote, a falta de ritmo... meus pés em descompasso que seguiram e seguem abrindo caminho pelo salão. “Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar”. É magnético, involuntário e inevitável. Eu corro. “Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar”. Eu não entro no ritmo, não sigo a contagem, quase não respiro... “Eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar”. Eu danço sozinho...

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