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domingo, 10 de março de 2013

A Morte


Você não deve se preocupar com a morte. Não adianta. Nem deve esperar por ela, a morte não quer ser esperada ou desesperada. A morte acontece. Não há nada que se possa fazer a esse respeito. Ela vem e, num segundo, tudo acaba. Os nossos planos e sonhos, a louça suja na pia, o recado anotado, aquele perdão esquecido. Ela vem durante a novela, na mesa do café, no sofá da sala ou na varanda, com aquele ventinho gostoso. Não adianta se preparar para a morte, ela não quer gente preparada. Ela quer gente viva.
Um sopro, um suspiro, uma frase interrompida... e um lugar vago na mesa pra sempre.
E a morte é inevitável, não sei por que ainda nos surpreende.
Não é a morte em si o problema, mas o que ela traz. São as fotos, é o telefone que não vai mais chamar. É a saudade que fica. A visita do fim de semana, a lembrança. A morte, em si, não é necessariamente ruim. Ruim é ficar vivo num mundo em que as pessoas morrem.
Tudo o que nós queremos das pessoas é que elas sejam eternas.
Eternas, é tudo o que as pessoas não podem ser.