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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Meninos

“Você já ouviu falar de transtorno bipolar? Pois então... Quero cair morto aqui agora se eu estiver mentindo. Ela gritava, gritava e chegava a babar! Até o corretor que foi olhar o apartamento disse que ela tava muito nervosa. Eu já não aguentava mais. E diz que na família dela tem uns casos assim também... ia só piorar.”

É seu terceiro divórcio. O primeiro casamento foi com uma colega de faculdade. Formados, casados e trabalhando, ela se deu melhor e ele não conseguiu engolir. Ambiciosa, fria e infeliz.
O segundo já começou errado e só durou o tempo de um filho – ou uma pensão. Golpista, vigarista, salafrária.
Na terceira, nós até apostamos. Acomodada, esperta, dessas mulheres que só dizem sim... Uma esposa perfeita para quem buscava tanto uma figura feminina. Bonita o suficiente para enfeitar eventos, educada para sentar à mesa, inteligente o bastante para poder abrir a boca. A dona perfeita para a casa. Linda com um filho no colo. Hoje, louca, agressiva, quase possuída...
O amor não resiste a tudo. Acabou de novo! Se era, de fato, amor, o padre se enganou no juramento. Acabou na tristeza, não resistiu à doença... Só causou dor e sofrimento a alguém que, pela terceira vez, precisa trocar as peças e recomeçar a brincadeira.
Outra casa, outros móveis, outra dona, outra vida. Outra culpada para erros nem sequer imaginados – quiçá reconhecidos.
Meninos mimados não crescem. Eles só envelhecem.