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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Agora eu fui

Dessa vez, eu achei que era possível. Que seria possível. Você me fez pensar que seria possível dessa vez. Eu ouvia Agora Eu Quero Ir e era exatamente assim que eu me sentia. Agora, eu queria ir. Me reconhecer, me reaprender e me apreender. Eu me atirei, precipitei... me desmanchei com seu sorriso bobo...
A vida foi sempre uma corda bamba pra mim. Tão alta que eu não via o chão, só ouvia o vazio. Você foi o pontinho azul que parecia água na imensidão. Eu programei o pulo. Mirei, calculei, estava tudo certo. A força da queda me faria ir bem fundo. Mas, na água, a gente afunda e consegue voltar. E eu me atirei.
Você não era mar, nem piscina. O pontinho azul devia ser só um ônibus parado num sinal, que andou assim que eu pulei. Eu nem terminei de cair e já sei que é só o chão o que me aguarda.
Você me fez achar que era possível, mas eu sei que a culpa não é sua. Quem achou fui eu. Logo eu, que nunca acredito em nada. Que vejo defeitos e obstáculos em tudo. Que sei que a vida é uma esquete de comédia que eu enceno sem poder ler as falas.
De uma hora pra outra, tudo parecia fácil. Parecia que estava tudo ali. Parecia que era possível.

E eu fui. Desculpa qualquer coisa.

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